Doenças da planta do Mirtilo

A produção de pequenos frutos, em particular mirtilos (Vaccinium spp.), tem despertado grande interesse na região de Entre Douro e Minho nos últimos anos.

Tratando-se de uma cultura recente entre nós, importa fazer o acompanhamento fitossanitário dos pomares para que possamos assinalar as principais doenças e pragas presentes nas nossas condições edafo-climáticas, bem como a sua incidência e severidade.

O correcto diagnóstico das doenças, bem como a identificação das pragas é fundamental, para que os meios de luta adoptados sejam também os recomendados.

A integração de meios de luta, privilegiando as práticas culturais, é um aspecto fundamental, considerando o número reduzido de substâncias activas disponíveis para tratamento da cultura (consultar o site da DGAV – Extensões de Autorização de Produtos Fitofarmacêuticos concedidas para as Utilizações Menores – aqui).

Adquirir plantas sãs em viveiros autorizados pelos Serviços Oficiais é o primeiro passo para o sucesso de um pomar. A preparação do terreno, efectuando previamente análises de solo, que darão as indicações para as correcções a fazer, é outro aspecto a não descurar.

Apresentamos as doenças identificadas em amostras entregues na Divisão de Apoio ao Sector Agroalimentar (DASA), da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, entre 2013 e Setembro de 2015. As plantas analisadas eram provenientes de pomares jovens, abrangendo diversas cultivares (Bluecrop, Brighthwell, Briggita, Chanticleer, Darrow, Draper, Duke, Legacy, Liberty, O’Neil, Ozarkblue, Spartan e Suziblue).

Ferrugem (Naohidemyces vaccinii)

A doença já foi referenciada na Austrália, Europa, Argentina, Ásia, México, Canadá e Estados Unidos.

O fungo tem diversos hospedeiros, além do género Vaccinum.

Sintomas:

Pequenas manchas amareladas na página superior das folhas, que se tornam castanho-avermelhadas, com um halo amarelo. Na página inferior da folha são visíveis pústulas amarelo-alaranjadas, os esporos do fungo (uredinósporos).

Em plantas com infeções graves, as folhas ficam acastanhadas e caem. Uma desfoliação intensa, com a consequente redução da atividade fotossintética, diminui o vigor das plantas.

Meios de luta:

A utilização de material são na plantação e a escolha de variedades menos suscetíveis constituem os principais meios de luta a adoptar.

Locais com temperaturas amenas e elevada pluviosidade são favoráveis às infeções do fungo

Autora: Eng.ª Gisela Chicau, DRAPN

Arranjo gráfico: Carlos Coutinho (Assistente-técnico)